Categoria aprova contraproposta patronal e encerra negociação coletiva 2026/2027 em assembleia marcada por cobrança à participação e maior consciência da classe trabalhadora
Os trabalhadores têxteis de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento aprovaram, na manhã de domingo, 21 de junho, a contraproposta patronal da Negociação Coletiva 2026/2027. A decisão foi tomada em assembleia realizada pelo Sintrafite, às 9h, no Auditório Luiz Carlos Groh, na sede da entidade, e finalizou a negociação deste ano.
A proposta aprovada prevê reajuste de 5% em todos os salários, inclusive nos pisos da categoria. Com isso, o primeiro piso passa para R$ 2.310,00 e o segundo piso, após 120 dias, passa para R$ 2.415,00. Também foram aprovados o prêmio assiduidade de até 25% e a renovação das demais cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho vigente.
O reajuste vale a partir da data-base da categoria, em maio. Diante disso, as empresas deverão efetuar o pagamento retroativo das diferenças salariais referentes ao período.
A assembleia foi aberta pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Assemelhados de Brusque e Região, Altair Stofela. Ele agradeceu a presença dos trabalhadores e trabalhadoras que atenderam à convocação e lembrou que o chamado para a assembleia teve ampla divulgação nas empresas, rádios, sites de notícias, redes sociais e canais de comunicação do sindicato.
O presidente explicou que o INPC acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026 ficou em 4,11%. Com o reajuste de 5%, a proposta garante a reposição das perdas inflacionárias e um ganho real de 0,89%.
Para o presidente, a categoria perdeu a oportunidade de demonstrar mais força na negociação.
“Parece que o trabalhador ainda não se tocou que a negociação também depende dele, da participação dele junto à categoria”, afirmou.
Stofela lembrou que a negociação coletiva começou em março, com a assembleia de preparação da pauta de reivindicações, o chamado rol, e foi concluída somente neste domingo, 21 de junho. O período, segundo ele, foi marcado por reuniões, tentativas de avanço e dificuldade na construção de uma proposta melhor junto ao sindicato patronal.
“A história do movimento sindical é assim. Tudo o que se conquistou foi através de movimentos, através de participação. E o trabalhador não está mentalizando isso hoje. Sem a participação dos trabalhadores, não conseguimos avançar”, avaliou.
Ele também citou que o debate nacional sobre o fim da escala 6x1, foi usado pelo sindicato patronal como argumento durante a negociação.
O presidente do Sintrafite também reforçou que a decisão de uma negociação coletiva não se dá nas redes sociais, nem nos comentários feitos depois da assembleia. Quem decide é a categoria reunida.
“Comentar em rede social não decide nada. Participação ativa é que vai decidir e fazer a categoria avançar. Não adianta amanhã, lá na fábrica, dizer que a diretoria do sindicato não trabalhou direito. A diretoria lutou, luta e vai lutar sempre, até os últimos momentos. Mas a participação do trabalhador é fundamental. Ele é que decide”, destacou.
Prêmio assiduidade
Um dos pontos mais debatidos foi o prêmio assiduidade. Stofela explicou que o valor não é pago por todas as empresas e depende dos critérios internos de cada uma. É um prêmio concedido ao trabalhador que não falta, mas não integra o salário e não reflete em direitos como férias, 13º salário, FGTS e demais verbas trabalhistas.
“O que a gente quer é aumento de salário e não aumento de prêmio”, afirmou.
O advogado do sindicato, Dr. Márcio Silveira, também chamou atenção para esse ponto. Ele explicou que o Sintrafite tentou negociar a obrigatoriedade do pagamento do prêmio assiduidade, mas a proposta não foi aceita pelo sindicato patronal.
“Cria-se uma falsa ilusão, a empresa contrata por um salário, mas uma parte do valor é prêmio. Depois, o trabalhador só recebe se não faltar, se não apresentar nenhum atestado médico”, explicou.
Dr. Márcio também avaliou que a baixa participação da categoria nas assembleias reduziu a força do sindicato para pressionar por avanços maiores. Ele lembrou que, caso a negociação fosse levada à Justiça, a tendência seria a aplicação apenas do INPC.
O dirigente sindical Anibal Boettger também se manifestou durante a assembleia sobre a baixa presença de trabalhadores, o que revela falta de união, de consciência de classe e de consciência política.
“Com muita tristeza eu digo que, a cada ano, parece estar pior. O trabalhador reclama na porta da fábrica, diz que vai participar da próxima assembleia, mas não vem. Sem participação, a gente não tem força para avançar”, afirmou.
Anibal reforçou que a ausência da categoria nas assembleias enfraquece o sindicato diante do patronal. “Amanhã o sindicato patronal já sabe quantas pessoas estiveram aqui. Isso enfraquece a luta. O trabalhador faz mal para ele mesmo quando não participa”, completou.
Durante o debate, trabalhadores presentes também se manifestaram. Um deles afirmou que muitos trabalhadores colocam a culpa na diretoria do sindicato, mas não comparecem às assembleias para fortalecer a negociação. Outro lembrou que o sindicato pertence aos próprios trabalhadores e todos são responsáveis em buscar avanços para a categoria.
Ao final da assembleia, a diretoria reforçou que continua em luta pela categoria. A aprovação da contraproposta encerra a negociação deste ano, mas deixa um alerta para as próximas campanhas salariais.
“A luta por salário, direitos e valorização segue nas fábricas, nas subsedes, na sede da entidade e nas mesas de negociação, mas os avanços dependem também da presença dos trabalhadores nos espaços de decisão. Sindicato forte se constrói com categoria unida”, reforçou o presidente Stofela.